A comédia adulta “Depois do Happy Ending”, único espetáculo adulto selecionado na 1ª Cenadoce, realizado diurante a 17ª Fenadoce de Pelotas, foi reapresentado no dia 2 de julho, às 20h, no Theatro Sete de Abril, durante as comemorações da Semana de Pelotas, com entrada franca.
Tudo ocorre durante um chá da tarde, na sala de estar do castelo de Cinderela. Muitos anos após o “final feliz” de suas estórias, a princesa recebe as amigas Branca de Neve e Bela Adormecida para “colocar o papo em dia”. É a chegada da terceira convidada, uma Chapeuzinho Vermelho contemporânea – que contrasta drasticamente com as outras personagens -, que vai abalar as estruturas e trazer à tona a vida real, “nem tão perfeita assim”, das protagonistas dos tradicionais contos de fadas. Esta foi a 16ª apresentação da peça, que estreou em setembro de 2007, no Sete de Abril.
O diretor Flávio Dornelles soube explorar cada detalhe do texto de autoria da atriz e jornalista Joice Lima, conferindo nuances e extraindo o máximo de humor à satira que traz as princesas do contos de fadas à atualidade e não as poupa das piores neuroses, tão comuns em nossos dias. Segundo a autora, este trabalho tem três objetivos principais. O primeiro deles é fazer com que a platéia se divirta e, com isso, queira voltar ao teatro e incentive os amigos e conhecidos a fazer o mesmo - o que contribuiria para a formação de espectadores, em tempos em que as artes cênicas estão perdendo espaço, gradativamente, para os DVDs, videogames e Internet.
Como segundo objetivo, a peça tem a pretensão de servir de espelho da própria sociedade do início do século XXI, tempos em que muitas pessoas vivem sob falsas aparências e a grande maioria se encontra “atolada” em distúrbios e obsessões – consumismo desenfreado, fixação por padrões de beleza impostos pela mídia e pela moda, mania de limpeza, alcoolismo, insônia, bulimia, infertilidade, impotência sexual, entre outros. “Se as pessoas, além de se divertirem, levarem pra casa ‘uma pulguinha atrás da orelha’... Se elas se enxergarem em alguma destas neuroses e pararem para repensar a sua postura, aí a peça já valeu à pena. Teatro não é só entretenimento Assim como todas as formas de arte, ele pode, sim, interferir na maneira como a sociedade se constitui”, diz Joice.
O terceiro objetivo, embora não seja o principal, é que o texto também é educativo. Ele esclarece as causas e possíveis tratamentos para alguns problemas como a apnéia do sono e ronco e a infertilidade feminina, quando associada à bulimia. “Além de reforçar a ideia de que, se conseguirmos olhar pra dentro de nós mesmos e admitir nossas falhas e problemas, se nos propusermos a superá-los, é bem provável que tenhamos êxito”, conclui.
No elenco, Raquel Franz dá vida à Branca de Neve, Márcia Monks interpreta Cinderela, Joice Lima é a Bela Adormecida e Lívia Correa como Chapeuzinho Vermelho. Flávio Dornelles faz uma participação especial como Charlotte, a mal-humorada e conservadora serviçal de Cinderela. Iluminação de Flávio Dornelles. Edson Lopes opera a luz e Terci XXXXX o som. A trilha sonora tem canções originais de Leonardo Oxley e o “Blues das Princesas” foi criado em parceria por João Mantovani, Sulimar Rass e Joice Lima (letra).
Em breve o grupo estará percorrendo o interior do Estado e não tem previsão de nova apresentação em Pelotas.
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